10.23.15

Diário do Novo Ka 2015 – Parte II

Posted in Random Thinking at 3:38 pm by BP

Quando falamos sobre acabamento inevitavelmente acabamos falando sobre design, e é aqui que surgem muitas divergências. Antes de mais nada vamos definir rapidamente o que é design. A palavra design vem de designo – a forma não deve ser meramente estética, mas sobretudo deve ter uma função, um designo. Popularmente, entretanto, as pessoas falam de design como mero acabamento estético – um aspecto visual compreendido em produtos de diversos campos. Ao falamos de carro, o design acaba sendo citado como um elemento muito mais relacionado ao campo da estética do que necessariamente da funcionalidade. Todos os carros te levam de A à B, portanto para citar um carro como possuidor de um design altamente revolucionário, o mesmo deve influenciar de maneira grandiosa essa função básica de transporte.

Particularmente, acredito que na categoria de carros 1.0 nessa faixa de preço (Ka, Palio, Up, Onix etc), nenhum deles oferece um design necessariamente melhor do que o outro. O que eles oferecem são estéticas diferentes. Logo, julgar um carro com melhor “design” (estética) do que o outro é como discutir qual o seu sabor favorito de refrigerante – cada um tem o seu.

Dito isso, gosto bastante da linha que a Ford tem perseguido – o chamado design “Kinect”, introduzido em 2011 no conceito Ford Evo. São linhas bem definidas, com poucos elementos orgânicos e que ao meu ver conseguem transmitir conceito moderno. Nunca fui muito fã de linhas mais orgânicas em veículos, então me senti bastante satisfeito com o padrão Kinect da Ford.

Agora vamos ao que interessa: a qualidade do acabamento. Comecemos por fora.

Novo Ford Ka – Acabamento Externo

Antes da compra pesquisei bastante a respeito do carro. Li sobre defeitos de alinhamento da carroceria e também até mesmo infiltração de água nas portas. Quando estive na Ford notei pequenas diferenças de alinhamentos na carroceria na grande maioria dos carros lá presentes: Ka, Fiesta, Ecosport – todos possuem algum tipo de desalinhamento mínimo que fará com que os mais analíticos percebam pequenos gaps. Ainda assim optei pelo Ka, pois são pequenos deslizes que não me amolaram (já lutei muito contra minha grande tendência ao transtorno obsessivo compulsivo – algo ainda presente na minha vida como publicitário e fotógrafo).

Quanto à infiltração de água nas portas, notei na primeira lavagem do lado do motorista que algumas gotas de água caíram no banco. Verifiquei as borrachas de vedação da porta, forçando o encaixe, e isso nunca mais aconteceu. Já se passaram várias lavagens desde então.

Externamente não observei nenhum outro fenômeno.

Novo Ford Ka – Acabamento Interno

Primeiro, o problema. Há registros de um pequeno barulho que pode acontecer no painel, próximo a saída de ar que joga o fluxo para o para-brisa. Isso hora aparece, hora desaparece, mas é um barulho que raramente ouço por dirigir sempre com o som ligado (e o volume não precisa ser alto para abafar esse ruído). Há também um vídeo de como resolver o problema, mas preciso de mais tempo para tentar. Em fóruns da Internet encontra-se um manual de serviço distribuído nas concessionárias da Ford precavendo possíveis ruídos no Ford Ka e como resolvê-los, portanto se acontecer qualquer coisa do tipo você pode e deve solicitar o reparo em seu distribuidor Ford.

Fora isto, são só elogios. Internamente o novo Ford Ka é muito bem construído. O plástico duro é de alta qualidade e a texturização melhora a sensação tátil. Não há lataria exposta no interior, algo que o antigo Ka tinha. A percepção interna do Novo Ka, no modelo SEL, é que se trata de um carro de categoria superior e não de um popular. Dirigi por alguns dias o modelo SE, um pouco mais simples, e mesmo nesta versão nota-se boa construção. Não há rebarbas visíveis.

A iluminação ice blue é extremamente agradável. Comandos de acionamento dos vidros elétricos também são iluminados (um detalhe ergonômico que alguns concorrentes, como o Up, não têm). Não há nenhum tipo de vazamento da iluminação no painel durante a noite (bem diferente do meu antigo Celta).  Na versão SEL também temos luzes de leitura individuais para motorista e passageiro.

A central Ford Sync possui uma tela de 7 polegadas que mostra diversas informações a respeito do sistema de som e também agiliza o uso do celular via Blue Tooth. Não tenho palavras para descrever o quão valioso é ter um celular conectado ao carro. Esta é uma tecnologia que sempre achei ser mero enfeite, mas sua utilidade faz com que eu sinta falta do sistema tão logo seja necessário dirigir outro carro. Os comandos por voz também são interessantes, e adicionam diversão e praticidade à experiência de direção.

Os bancos de tecido são bem projetados e confortáveis – a espuma é bem firme. Possui ainda porta revista atrás dos bancos dianteiros. As portas possuem uma pequena área com acabamento de tecido que gera certo conforto.

O volante tem excelente empunhadura. Só ficou faltando um revestimento em couro.

Destaque para o porta malas

Algo que me chamou bastante atenção foi o acabamento do porta malas do Novo Ka. Na versão hatch, o compartimento possui revestimento em todo o seu interior – não há lataria exposta. Possui ainda iluminação – novamente algo que não está presente em alguns concorrentes. Show de bola!

O nosso Ford Ka está com 5 meses e se aproximando de 5.000 km rodados principalmente em cidade. Nenhuma peça se soltou, nenhum ruído novo apareceu (exceto pelo observado no painel), mas essa situação pode mudar. Nenhum carro resiste à péssima malha asfáltica da cidade (quem mora em Piracicaba sabe bem do que estou falando).

Vamos que vamos. Até o momento, bastante feliz e satisfeito.

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