O retorno à Legoland!

Como quase todo garoto que cresceu na década de 80, Lego foi um dos meus brinquedos favoritos e mais desejados. Jamais esquecerei a emoção ao ganhar o helicóptero dos bombeiros, cujas peças atualmente devem estar espalhadas por duas ou três casas onde morei. Após o desencanto natural de um adolescente pelos seus “brinquedos de criança”, é normal que os tenha deixado para trás em uma caixa surrada da Mesbla (lembram dela?).

A questão é que hoje, aos 34 anos, essa chama reacendeu graças a um kit que comprei como um suvenir de viagem. Minhas atenções voltaram para a marca e bateu aquela vontade de construir uma mini-cidade modular – algo bem mini, que caiba no bolso e seja passível de ser desmontada e guardada. Me deparei com um universo bem mais vasto do que há 20 anos, e nas últimas semanas estive pesquisando um bocado a respeito. Abaixo deixo algumas impressões que podem ajudar os que pretendem voltar ao “hobby”, mesmo que temporariamente somente para satisfazer um capricho da infância.

Há Lego de tudo e para (quase) todos os bolsos.

Na minha infância existiam basicamente as linhas Duplo, para crianças pequenas, e a System, contendo temas variados. Hoje, além da já tradicional linha Technic, existem também os sets Creator 3-1n-1 e Creator Expert, Lego Friends (com apelo para as meninas), produtos licenciados (Simpsons, Marvel, Batman, Star Wars etc), Lego Classic, Lego Architecture e muito mais. O bacana é saber que há compatibilidade entre todas as peças. Para ser mais exato, qualquer Lego produzido hoje ainda é compatível com as primeiras peças produzidas na década de 1950!

Outra coisa que não mudou é que os blocos de montar continuam caros. Proibitivamente caros, para falar a verdade. Apesar de ser um produto importado, a discrepância de preço chega a assustar: sets que custam U$ 10 chegam a custar R$ 100 no Brasil! A melhor solução continua sendo pesquisar bastante antes de comprar.

Montando sua Cidade Lego.

Para quem deseja a experiência clássica da infância de se imaginar em uma cidade Lego (pois montar uma exigiria um investimento colossal), existem 3 linhas principais que podem ser seguidas, cada uma com suas diferenças práticas e potencial para brincar: City, Creator 3-in-1 e Creator Expert.

  • Lego City: antigamente conhecida como Legoland e Lego Town, é uma linha para crianças de 5 a 12 anos subdivida em diversos temas clássicos como polícia, bombeiros, exploração espacial etc. Lembra bastante os sets clássicos da década de 80 e 90, porém com visual mais moderno e (atualmente) com maior uso de peças pré-moldadas. Cabines de helicópteros e aviões, por exemplo, costumavam usar diversos bloquinhos menores e resultavam num visual mais quadrado, enquanto que atualmente é utilizada uma única peça que facilita a construção e garante um visual mais fiel, porém diminui a possibilidade criativa de construir idéias diferentes. Há quem goste e há quem não. A linha City é ideal para quem deseja brincar com suas criações, sejam crianças ou adultos. Abaixo uma comparação entre os ônibus espaciais dos sets 60080 (2015) e 1682 (1990) .

  • Creator 3-in-1: lembra de quando atrás da caixa do Lego vinham fotos de algumas construções alternativas que você poderia fazer utilizando as mesmas peças? Essa é a ideia por trás da linha 3-in-1, que permite a construção de pelo menos 3 modelos com as mesmas peças, com todos os passos registrados no manual de instruções. É uma experiência bem próxima de como era montar um Lego há 20, 30 anos atrás e de todas as possibilidades criativas que isso trazia. A linha Creator 3-in-1 certamente possui sets essenciais para quem deseja montar uma cidade e manter a sanidade financeira, pois apresenta temas que vão de veículos à lojas de conveniência e residências – algo essencial para um diorama urbano. Apenas fique de olho na escala, pois nesta linha nem todos os veículos estão na mesma escala das minifigures (os clássicos bonequinhos). Abaixo, o set 31065 e suas 3 possíveis construções.

  • Creator Expert: a elite do Lego. Os sets comumente possuem mais de 1000 peças e a construção pode levar horas (talvez até dias, dependendo da sua disponibilidade de horário e maturidade). Certamente são os maiores, mais detalhados e belos sets para a construção de uma cidade. Consequentemente, são também os mais caros e não se enquadram muito na ideia de “brincar”. É um produto para jovens adultos (e adultos fãs de lego, sigla AFOL).

Antes de encerrar esse tópico devo falar sobre as baseplates: elas não são exatamente sets, mas são essenciais para montar um diorama. As “placas base” vem em diversos modelos, tamanhos e cores, e é sobre ela que você constrói os seus sets. Antigamente os sets costumavam vir com suas próprias baseplates, porém mais recentemente a Lego aboliu essa prática e passou a vendê-las separadamente – bad bad Lego! No caso de montar uma cidade as placas mais interessantes são aquelas que imitam ruas e curvas. Os sets  7280 e 7281 combinam os 4 tipos de ruas: reta, junção T, curva e cruzamento.

A pegadinha é que você não pode comprar cada um deles separadamente, uma vez que cada kit traz dois tipos de “ruas”, ou seja: mais dinheiro desperdiçado caso queira construir um percurso específico. Essas baseplates não são fáceis de encontrar em lojas físicas, então a melhor maneira de comprá-las é através de revendedores online.

Precisou de uma peça específica? Hoje você pode encontrá-la!

Sem dúvida nenhuma a melhor coisa que o século 21 trouxe para os colecionadores de Lego foi a possibilidade de comercialização de peças via Internet. O BrickLink é um site especializado, onde lojas e também colecionadores de todo o mundo – incluindo muitos brasileiros – disponibilizam peças avulsas para a compra. Sem dúvida nenhuma um grande benefício para tentar restaurar aquele set de infância cujas peças você perdeu, ou caso queira customizar um dos seus modelos.

Por hoje é só, pessoal.

Detesto finalizar um assunto de maneira repentina, mas os deveres da vida real – e adulta – me chamam. Pesquisar sobre as possibilidades atuais que Lego permite é um escape para uma época onde a minha maior preocupação era escolher qual set eu queria para o Natal (e como demorava para chegar esse Natal!). Hoje já não preciso mais esperar por datas especiais para comprar Lego, exceto pelo dia do pagamento – uma outra data digna de comemoração. É uma pena que ao mesmo tempo que você atinge independência financeira, encontra também uma série de contas a pagar. Não existe almoço grátis! :)

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2 thoughts on “O retorno à Legoland!

  1. Oi BP! Sou Michel Borges, ilustrador e autor de quadrinhos. Estou iniciando a produção da nova HQ oficial de Jaspion, a ser publicada pela editora JBC, com aprovação da Toei Company.

    O anúncio oficial do projeto foi feito a alguns dias pela editora JBC e recebe atenção do público e mídia especializada em entretenimento. O lançamento da HQ será realizado na CCXP 2018, em Dezembro. Iniciarei a produção em vídeo do processo de desenho das páginas, para publicar no Youtube e redes sociais.

    Estou aqui para pedir uma grade ajuda ao projeto. Grande ão, GIGANTE! Você concederia seu Daileon para que eu o usasse como referencia para desenhar as cenas em que ele aparecerá na história? Seria apenas para o tempo em que eu estiver produzindo a história.

    Se isso for possível, vai contribuir muito para a qualidade final da obra.
    Abração!

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