03.15.10

Reentering the world of Unreal

Posted in Games at 10:16 am by BP

Nessa última semana aproveitei algumas noites livres para revisitar Unreal, jogo ao qual dediquei muito do meu ócio na adolescência, especialmente através do já extinto site Café NaPali. São anos desde a ultima vez que encarei o singleplayer, portanto a experiência trouxe muitas e agradáveis lembranças que estavam esquecidas.

Se Half-Life é como assistir a um bom filme, Unreal é como ler um bom livro. É uma longa e solitária jornada numa terra desconhecida, embalada por uma espetacular trilha sonora (ouça exemplos aqui, aqui e aqui) e visuais até hoje inspiradores (mesmo sendo um jogo lançado ha mais de 10 anos atrás). Não é a toa que passei tanto tempo jogando e filosofando sobre Na Pali. Se pareço exagerado, apenas leia alguns comentários nos links acima e você verá que existe uma legião de apaixonados. Unreal é o fps que mais conquistou minha imaginação.

O jogo é tão bom que tirou a Epic do limbo do anonimato e a colocou lado a lado com a ID, de Quake. Uma pena que a épica produtora ja tenha declarado não possuir interesse em um novo Unreal singleplayer, sendo o seu foco agora Gears of War – que embora seja muito bom, passa longe de ser uma experiência irreal (não resisti ao trocadilho).

Talvez até seja melhor assim: numa era dominada por consoles é difícil imaginar como seria Unreal, pois os fps de ação de hoje parecem ter estabelecido uma fórmula um tanto quanto cinematográfica: muitas cutscenes e eventos “scriptados”, pouca oportunidade de exploração (salvo FarCry e companhia), chitchat constante e trilha sonora que aparece apenas em momentos específicos. Isso tudo não é ruim, porém acredito que não funcionaria com Unreal e acabaria completamente com a imersão que o jogo possui. Um bom exemplo disso é o próprio Unreal II, “continuação/spin-off” que não aproveitou nada do que o primeiro tinha de bom. Uma nova versão só funcionaria se o material original fosse seguido a risca, e isso significaria ignorar a tendência atual de transformar os “first person shooters” em “first person hollywood blockbusters”. Dito isso, é bem provável que o novo Unreal – seja ele remake ou continuação – viverá apenas em nossas imaginações.

Em algum momento dessa semana devo reinstalar o Unreal Tournament para matar a saudade. Ouvi dizer que ainda existem muitos servidores no ar repletos de jogadores nostálgicos. Quem sabe um dia o Café NaPali não abre novamente suas portas? Não para ser um portal de notícias sobre a série, mas sim um tributo a uma época de ouro da minha vida.

4 Comments »

  1. JrezIN said,

    March 15, 2010 at 12:34 pm

    Bons tempos…

    …as vezes é melhor deixar algumas coisas apenas nas boas memórias… espero que se Unreal um dia voltar ao mundo dos NaPali e Skäarjs, não seja da mesma forma que Unreal II buscou… de fato o principal charme do jogo original eram as paisagens incríveis e criaturas peculiares, num ritmo de fuga e descobertas… de fato mexia com a imaginação.

    …mas nunca custa revisitar essa experiência… ainda mais hj em dia que a principal dificuldade da época (potência do PC) é basicamente inexistente… o jogo provavelmente rodaria até mesmo em aparelhos celulares sem problema…

  2. Buttons said,

    March 15, 2010 at 7:56 pm

    Boa época! Foi o primeiro jogo que joguei na minha voodoo banshee e, claro, passei metade do tempo de jogo simplesmente viajando no cenário, que em glide ficava fantástico!

    Esses dias tava relembrando o HL2 e meia hora depois perdi o interesse, parte pelo bitmapzão que botaram pra céu e parte pelo motion sickness que vem de brinde com o jogo…o unreal tem o céu bonito até pros dias de hoje!

    Não concordo com deixar pro passado. Um single player que conseguisse aquela imersão do primeiro, passasse ao jogador aquela sensação de desolação e uma trilha sonora de acordo (se usassem as ELISHA seria perfeito) valeria à pena! Claro que a Epic precisaria ter coragem, porque caindo na ladainha rookie-que-salva-o-mundo-e-vira-lenda vai ser só mais um FPS bonitinho e ordinário como foi o Unreal 2…

    Maldita Legend, depois do Wheel of Time fazer uma bagunça dessa com a franquia…se o 2 tivesse sido bom teríamos um 3 à caminho!

  3. BP said,

    March 17, 2010 at 12:36 am

    Rapaz, se fossem fazer um Unreal novo eles precisavam chamar o compositor do primeiro (que é o mesmo de Return To Na Pali) e deveriam fazer o Elisha trabalhar junto com ele. E por favor, trilhas sonoras contínuas, ou que pelo menos toquem na maior parte do tempo!

    O meu medo de trazer o jogo pra atualidade é justamente esse, Buttones: o feeling. Como o Rez disse num papo via MSN, Unreal foi feito com uma técnica narrativa que se enquadrava na tecnologia da época. Hoje as técnicas são outras, porém acredito que eles não resistiriam a colocar varias cutscenes e diálogos pra cá e pra lá.

    Talvez até mesmo voice-logs já não fossem ter o mesmo impacto do que a leitura. Ou então poderiam deixar os humanos com voice-logs, e os Nalis com os logs escritos (já que a tecnologia deles é pouca). O silêncio deve predominar.

    Enfim, gostaria de vê-lo feito, porém se for pra ser porcaria, deixe o Unreal original mesmo. By the way ele parece ter servidores mais ‘populados’ do que o UT :P

  4. ZNP said,

    March 17, 2010 at 11:21 am

    Multiplayer! Não esquece o multiplayer! UT não foi só uma experiência single. Foi num desses servidores que joguei a minha primeira partida online, contra o cidadão acima (em 98) – é o REZ, antigo modera da Kingmob Journal?

    Não tenho como descrever a sensação de repetir clássicos como Deck-16, partidas CTF em servidores lotados de HPBs, a edição precária no UEditor furreba, patches semanais que foram praticamente o precursor do steam! heuhua!

    Bons tempos que não lagam mais…

Leave a Comment