02.02.11

Star Trek vs Blu-ray

Posted in Cinema & TV at 4:04 pm by BP

A primeira vez que ouvi o papo sobre Blu-ray e alta definição, eu não acreditava que a provável melhoria de imagem pudesse fazer diferença o suficiente pra você querer trocar alguns DVDs antigos pelo novo formato. Obviamente eu percebi o meu engano tão logo tive a oportunidade de experimentar. Embora os filmes novos sejam os melhores exemplos da qualidade de áudio e imagem, o maior chamariz pra mim está nas novas versões dos filmes antigos.

Primeiro vou deixar bem claro que nem todo filme antigo que está ganhando versão em Blu-ray tem qualidade boa – muito pelo contrário, as produtoras pegam “transferências” antigas dos negativos e apenas jogam no novo disco. Ao mesmo tempo que você ganha resolução, ganha também as “sujeiras” que antes eram impossíveis de ver. Isso quando não aplicam filtros absurdos que removem toda a sujeira, mas também a granulação (esta última que dá à imagem a sensação natural do filme de cinema), resultando numa experiência que no máximo pode ser descrita como “pseudo alta definição”. Um bom exemplo é O Predador, que primeiro ganhou uma versão em “Blu” sem nenhum tipo de tratamento, e depois foi relançado numa versão com melhor cor e contraste, mas que também eliminou todo tipo de detalhe das texturas.

Quando a transferência de um filme é feita com carinho a história é outra: os maiores exemplos que posso dar no momento são Blade Runner: The Final Cut e Alien Anthology – filmes com mais de 20 anos de existência, mas cujas versões em Blu-ray são espantosas. Melhor do que ver um filme novo em alta definição, é assistir um “filme de catálogo” e perceber aquilo que antes você não via. Detalhes e texturas que você jamais imaginou, e que o faz chegar mais perto da experiência no set.

O que dizer então de uma série gravada nos anos 60 chamada Star Trek? Meu pai já havia comprado a série clássica em DVD, lançada em 2000, e naquela época nos espantamos com a qualidade, considerando a idade do programa. Mas agora que a tripulação da NCC-1701 chegou ao formato de alta definição, será que vale a pena fazer um esforço pra embarcar novamente nessa (trocadilho em 3, 2, 1…) jornada? Teria ela algo de novo a oferecer, ou seria apenas um desses relançamentos meia boca em pseudo alta definição?

A resposta para as duas primeiras perguntas é um grande e fascinante sim! Antes de mais nada devo explicar que essa versão remasterizada de Star Trek: The Original Series foi produzida em 2006, lançada em DVD e HD-DVD no final de 2007, e só chegou ao Blu-ray em 2009.

Junto com Blade Runner e Alien(s), Star Trek: TOS Remastered compõe a vitrine daquilo que o Blu-ray tem de melhor a oferecer aos filmes “antigos”. O trabalho da CBS e de todos os envolvidos na restauração é capaz de levantar a sobrancelha até mesmo do vulcano mais frio. Não apenas houve ajuste de cor / contraste e remoção de sujeiras (na medida certa, sem remover os detalhes e a leve granulação), mas também a maioria das as cenas com efeitos especiais ópticos foram recauchutadas com o uso diversas técnicas.

Provavelmente o grande destaque são as cenas com a Enterprise, que foram todas substituídas com novas versões em CG. Elas mantém o “estilo vintage”, uma vez que não ferem nem fogem de forma absurda do material original (apenas não espere CGs com a mesma qualidade de filmes de cinema, óbvio). Fãs mais exigentes devem se regozijar, uma vez que no Blu-ray você tem a opção de assistir todos os episódios tanto na versão original quanto na remasterizada, ambos em alta definição.

Agora sabe o que mais me impressionou nisso tudo? Você pode alternar entre as duas versões durante a exibição dos episódios, sem precisar pausar ou parar. Literalmente posso assistir a cena original da Enterprise orbitando um planeta, voltar alguns segundos atrás (antes dela começar), apertar o botão e pumba: lá está a mesma cena, remasterizada, sem precisar reiniciar o episódio ou até mesmo esperar a mudança de capítulo. É a cereja que completa um bolo já muito bem recheado, e que seria muito bem vinda em outros discos que contém versões diferentes de um mesmo filme. Digo mais: é um verdadeiro presente para os fãs, especialmente àqueles que, como meu pai, assistiram à série quando jovens e desejam também possuir suas memórias guardadas em alta-definição (acho que isso é tudo aquilo que os fãs de Star Wars gostariam que George Lucas fizesse).

Finalizando, o único problema para os trekkers brasileiros é que cada temporada é vendida, em média, por até R$ 400. A boa notícia é que versão americana possui legendas em português (embora não tenha a dublagem clássica), e pode ser importada da Amazon por pouco mais de U$ 180 (pack com as 3 temporadas).

Vida longa e próspera à esta série que, sendo sincero, nunca liguei muito, mas que de um ano pra cá passei a gostar mais e mais.

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