03.26.13

O salto para full frame

Posted in Fotografia at 8:09 pm by BP

A tecnologia unida ao consumismo cria a cada semana novos produtos com o objetivo de conquistar meu suado dinheirinho – alguns realmente são avanços (o primeiro iPhone), enquanto que outros são upgrades menores e incrementais (todos os demais iPhones). O mesmo aconteceu com as câmeras digitais.

Tenho acompanhado o desenvolvimento das câmeras Canon desde a época da Powershot Pro1, minha primeira digital, comprada lá em 2005. Curiosamente, pouco mais de 2 anos depois eu estaria pulando para o mundo das dSLR (câmeras reflex digitais) através da Rebel XTi basicamente por duas necessidades: utilizar uma lente grande angular e  ter ISO 400 de qualidade (sendo ISO 800 e 1600 um bônus) permitindo o uso profissional. Sim, houve uma época onde ter ISO 400 com qualidade era impossível numa câmera compacta.

De lá pra cá muita coisa aconteceu, sendo que todos os tipos de câmera se desenvolveram: de pequenos sensores ao APS-C e full frame (que possui o mesmo tamanho de um filme 35mm), a capacidade de ter live view, gravar vídeos (algo tido como impossível e absolutamente improvável em uma reflex até 2008/2009) e, mais recentemente, possuir “perfumarias” como Wi-fi, GPS, HDR in-camera etc. Uma relação, porém, continuou a mesma: quanto maior o sensor, maior a qualidade.

Vale destacar também que, no mundo das dSLR, investir em um bom conjunto de lentes torna-se muito mais importante que trocar de câmera a cada ano. Desde 2006 quando a Rebel XTi chegou ao mercado, a Canon lançou a XSi, T1i, T2i, T3i, T4i e acabou de anunciar a T5i. Basicamente é um novo lançamento a cada ano, aumentando 2 ou 3 megapixels num sensor de mesmo tamanho (as vezes nem isso), inserindo uma nova função, mas particularmente não fazendo nada de muito diferente da câmera anterior. Lentes, por outro lado, demoram anos para ganharem novas versões e abrem um leque de possibilidades muito maior para fotografar. Resumindo: o dinheiro que você gastaria trocando de câmera a cada ano pode ser usado para comprar uma nova lente que vai mudar o seu modo de fotografar.

Escolhendo esse caminho, a partir de 2007 investi moderadamente no hobby (que por vez ou outra torna-se profissão primária), especialmente nas lentes, mas chegou a hora de trocar de câmera. Minha ideia até então era comprar uma nova APS-C, e desde o começo de 2012 estava aguardando ansiosamente por um novo modelo. Graças a demora da Canon em lançar uma sucessora para a 60D e 7D (que na data deste artigo já possuem 3 e 4 anos de mercado) e ao lançamento oportuno da Canon 6D, eu considerei bastante e após muito ler e pesquisar decidi que estava na hora de fazer um novo salto de categoria, desta vez para o full frame.

Quando digo que pensei bastante a respeito não estou mentindo. Eu já tinha um set completo que atendia a minha demanda por qualidade: EF-S 10-22, EF-S 17-55 f/2.8 IS e EF 70-200 f/4 L IS (e ainda a popular EF 50 f/1.8 II e a kit EF-S 18-55). Migrar para o full frame significou me desfazer de duas das minhas três lentes mais usadas, e por falta de recursos, permanecerei por um tempo sem uma grande angular (lentes EF-S funcionam apenas em sensor APS-C, enquanto que lentes EF funcionam tanto no full frame quanto no APS-C). Mas valeu a pena?

No meu caso eu afirmo que sim. Antes de mais nada, há um salto de qualidade tremendo entre o sensor APS-C e o full frame em ISOS moderadamente mais altos – coisa que aumenta exponencialmente quando usamos um sensor APS-C de 2006 (Rebel XTi) como base de comparação. Usar ISO 1600 na XTi é quase como usar ISO 25600 na 6D.

Além disso, os seis anos que separam a XTi da 6D foram mais do que suficiente para que não só se aprimorassem os antigos recursos, como também para que desenvolvessem incontáveis novos. A XTi é um produto do seu tempo: sem a pretensão de fazer nada mais do que fotografar e registrar a imagem digital. A 6D “filma”, fotografa, corrige, grava localização (GPS) e compartilha (Wi-fi).

No que diz respeito aos recursos da câmera, a Canon torceu muitos narizes ao anunciar a Canon 6D com “habilidades” um tanto quanto limitados quando comparados a sua própria linha “atual” de câmeras APS-C (em especial a 7D) – a 6D não possui flash integrado, não é capaz de controlar remotamente flashs escravos, tem um disparo contínuo de “apenas” 4.5 fps, possui 11 pontos de autofoco sendo apenas 1 crosstype (porém este é o ponto de foco mais sensível de toda a linha atual da Canon, capaz de focar num ambiente iluminado apenas pela luz da lua), entre outros coisinhas mais. Vindo de uma XTi esses pormenores não me atingem, uma vez que já uso o ST-E2 para controle dos flashs externos, sempre me virei com apenas 9 pontos de foco e velocidade de 3 fotos por segundo e, sinceramente, isso nunca me barrou profissionalmente para a maior parte dos meus trabalhos (obviamente não sou fotógrafo de esportes).

Literalmente me vejo como o público-alvo perfeito da Canon. A Canon 6D me traz novos e importantes recursos e, em primeira mão, me leva para o mundo das câmeras full frame.

Leave a Comment