07.04.15

Desenhando um casamento amarelo – Do It Yourself

Posted in Random Thinking at 12:01 am by BP

Essa é definitivamente uma novidade. Chegou a hora de desenhar o casamento mais importante do qual eu participarei: o meu. Como sou fã do conceito Do It Yourself, resolvi topar esse desafio (pelo menos em partes)! Os esboços começaram 18 meses atrás e culminam na data de hoje, 04 de julho de 2015, quando nos casamos. O resultado? Clique abaixo para saber mais.

O desafio começou pelo próprio ensaio pré-wedding: usei o wi-fi da Canon 6D, deixando a câmera no tripé e ajustando a exposição e enquadramento pelo celular. Finalmente pude fazer parte da imagem e não precisei mais usar a velha técnica liga-timer-e-sai-correndo. Fotos resolvidas, passemos para o design do material impresso.

Desde o início minha noiva e eu estabelecemos que o conceito deveria transmitir alegria, fugindo do visual convencional o quanto fosse possível, especialmente no que diz respeito a parte gráfica – recebi somente uma única vez um convite de casamento que se aventurou além do padrão escrito com tipografia script e tons pasteis. Como publicitário, designer gráfico, fotógrafo e também professor, esse passou a ser o meu job mais importante.

Antes de mais nada, decidimos que a cor predominante seria o amarelo. A decoração, o convite, o bolo – tudo deveria embutir essa cor quente e convidativa. O símbolo do nosso logotipo foi o primeiro elemento construído. Baseado na @, ele reflete a forma como a nossa amizade nasceu e se fortaleceu. O LL entrelaçado também lembra um coração, protegido pela aliança do nosso novo compromisso. Uma vez definido isto, busquei referências para o desenvolvimento do convite.

Ornamentações com florais eram tendência alguns anos atrás e foi justamente nisso que o meu primeiro esboço do convite resultou.  Não consegui transmitir a personalidade que eu desejava, a minha noiva confirmou que não era bem o que ela esperava, então resolvi buscar nova inspiração. Foi então que comecei a observar aquilo que nos caracteriza como Luciana e Luiz. Percebi que por dentro nos sentimentos jovens, nossos gostos refletem nossa infância imaginativa, nos vemos como personagens de um mundo montado para nós. Como eu poderia representar isso de forma gráfica sem precisar recorrer para as comuns caricaturas dos noivos? Foi quando tive um insight: me recordei dos slides que faço para as minhas aulas.

Uma característica sempre presente neles é o uso de pictogramas – representações simplificadas (geralmente de pessoas e objetos) bastante utilizadas no nosso dia-a-dia. As plaquinhas que mostram o gênero dos toilets; o desenho do cadeirante indicando vaga reservada aos deficientes físicos; a placa de trânsito com o pedestre atravessando na faixa – todos são exemplos de pictogramas. Decidi então procurar por alguns que representassem uma das atividades que mais gostamos de fazer como casal: a fotografia.

Uma vez encarnados em nossas representações iconográficas, tornou-se muito mais espontâneo e divertido o desenvolvimento do mundo ao nosso redor. Vamos casar de dia? Desenharei o sol e as nuvens. Será em uma igreja metodista no meio do campus da universidade? Buscarei uma representação do templo e do gramado.  Tomado pelas ideias fluentes, não demorou muito até desenvolver o convite da forma que desejava.

Quem trabalha com criação sabe o êxtase que sentimos ao encontrarmos a solução. Mesmo diante de possíveis críticas pela ousadia nas cores e estilo (acredito que as pessoas tendem a ser conservadoras) me senti realizado. Mais do que isso: nos sentimentos realizados. Os convites foram acomodados em um envelope cata-vento, junto a um berço contendo o cartãozinho com nossa Wishlist (lista de presentes) e também o Golden Ticket (a entrada para o nosso pequeno brunch). Todos com faca especial para garantir esse visual diferenciado e fugir do tradicional.

Para o convite dos padrinhos, encontramos um marceneiro que construiu caixinhas de madeira sob medida para conter o convite e também um CD no qual colocamos mais de 150 músicas que fizeram parte da nossa vida.

O CD também será oferecido no lugar da gravata em nossa pequena recepção – aqueles que contribuírem levarão a lembrança para casa. Tudo bem tranquilo, sem pressão e constrangimento.

Desenvolvi o Guia da Cerimônia contendo uma mensagem de agradecimento, os nomes dos padrinhos, a playlist com as músicas tocadas, e também um marcador de páginas que será deixado em cada poltrona na igreja – um mimo que reflete nosso prazer com a leitura.

Para nossa recepção, um brunch no período da tarde, montei o cardápio com algumas referências inconográficas. Ao lado esquerdo, o indicador do número das mesas seguindo mesmo padrão visual.

Para o bolo encomendamos um topo elaborado em acrílico com base em nossos pictogramas. Cada mesa da recepção terá um arranjo semelhante, porém contendo apenas um dos personagens. Em uma mesa estará a noiva, em outra mesa estará o noivo e assim por diante.

Também compramos MMs personalizados com nosso logotipo que serão distribuídos em tubetes. Tivemos a conveniência de um familiar que veio dos EUA e nos trouxe a encomenda, caso contrário a logística não valeria a pena. O preço é salgado: são 140 dólares por meros 2.2 kg de produto. Embora não fique perfeito, o resultado diverte bastante.

Para finalizar, diante do contexto tecnológico em que vivemos não poderia faltar o hotsite do casamento. Desenvolvi tudo muito simples, sem nenhuma funcionalidade especial (programação web não é meu foco).

No próprio site embuti um pequeno video/animação que funcionou como Save The Date. Também acabei eu mesmo desenvolvendo o “videobook” com fotos antigas (assista aqui). Toda a produção foi realizada no Adobe Premiere.

Ufa! Acho que isso é tudo. Acredito que desenvolvemos 99% de todas as ideias que planejamos. Se houvesse mais tempo provavelmente refinaria um pouco mais o videobook e imprimiria alguns adesivos, mas a verdade é que o simples fato de tudo isso ter saído da imaginação já me deixou muito satisfeito, e até o momento o feedback foi muito bom. E aí? O que achou? Deixe seu comentário abaixo. Um abraço!

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